quarta-feira, julho 26, 2006

Nuclear: Quem tem razão?

Desde o início da escalada dos preços do Petróleo, a discussão entorno da solução Nuclear (fissão) não tem sido clara.

Os números relativos, ao "verdadeiro" custo kilowatt nuclear, varia conforme a tendência pro ou contra.

A problemática dos resíduos nucleares é minimizada pelos apoiantes do nuclear e maximizada pelos detractores.

O que parece é que nesta discussão os factores económicos/financeiros se sobrepõem aos factores técnicos e ambientais.

A discussão sobre a eventual instalação de uma central nuclear em Portugal, não tem sido clara e apenas parece aportar mais entropia para o nosso sistema, afastando-nos assim, de uma verdadeira discussão sobre a problemática energética.

Esta problemática começa pelo consumo e não pela produção. A melhor forma de produzir um Kilowatt é não consumi-lo!

As medidas de eficiência energética são urgentes é altamente necessárias. Alguns mecanismos começam a ser constituídos (novo RCCTE e RSECE), no entanto falta um muito longo caminho para percorrer em sectores como o transporte e a habitação.

O facto é que a energia eléctrica representa um pequena parcela (cerca de 20%) da energia final consumida em Portugal, e a energia nuclear, no actual contexto tecnológico, apenas iria influência esta parcela.

Não devemos, nem podemos, centrar a problemática energética numa discussão "sé é bom ou mau fazer uma central nuclear". A discussão deve ser centrada e soluções técnicas, económicas e ambientalmente sustentáveis.

Se perdermos o tempo a discutir se é "bom ou mau", se o "aquecimento global existe ou não" ou se o "protocolo de Quioto é benéfico ou não", quando for tempo de actuar poderá ser tarde demais, e o facto de sermos mais eficientes energicamente de apostarmos na diversificação energética (renovável e convencional), se não fizer "bem" de certeza que não faz mal nenhum!

sexta-feira, julho 21, 2006

Energia eólica na frente

Nos últimos anos a energia eólica tem vindo a ser a única energia renovável com um real desenvolvimento em Portugal.

Nos últimos 4 anos, passamos de 175 MW de potência instalada (em 2002) para 1.151 MW (em Março de 2006), o que representa actualmente 711 geradores, distribuídos por 112 parques eólicos.

Não admira por isso, bem perto de Lisboa, na zona Oeste, as turbinas eólicas saltam logo à vista, até do mais distraído.

Esta proliferação, que apesar de tudo já está atrasada, deve-se no essencial às perspectivas económico-financeiras que representam a conjugação de vários factores macroeconómicos: por um lado o preço do petróleo não dá sinais de descida, pelo contrário, assiste-se novamente a uma escalada do preço do ouro negro, e por outro lado, o valor de remuneração do Kilowatt de energia eléctrica produzida nos parque eólicos, estabelecido com a finalidade de atingir os 39% de energia eléctrica com fonte nas renováveis, favorece o retorno do investimento, VAL, TIR's e outros indicadores.

Noutra vertente técnica, as turbinas eólicas são cada vez são maiores, mais eficientes e mais baratas.

Assim a energia eólica afigura-se como a primeira energia renovável competitiva face a outras fontes convencionais de produção de energia, não obstante com alguns inconvenientes, como a irregularidade na produção, a localização de locais com bons recursos de vento em locais protegidos, etc..

De facto a energia eólica não é a panaceia para todos os problemas da actual necesidade energética nacional. Esta fonte de energia, actualmente apenas representa cerca de 20% da energia eléctrica produzida, e relembrando que o consumo eléctrico nacional (energia final) é cerca de 20%, fazendo contas, na globalidade a energia eólica apenas aporta cerca de 4% para os consumos de energia final. Mesmo no melhor dos cenários em que são instalados cerca de 5.000 MW eólicos até 2010, a energia eólica nunca ultrapassará os 15% da energia final necessária. Isto sem ter em conta o crescimento dos consumos.

Na realidade a energia eólica não é a solução única, faz sim parte de uma solução composta que começa por gastar menos (eficiência energética) e produzir 'melhor', com recursos a fontes diversificadas: eólica, biomassa, solar, gás natural, hídrica, etc., assim como investir em novas formas de mobilidade: o automóvel de motor de combustão já tem cerca de 100 anos, já é hora de 'produzir' novas soluções, mais baratas e realmente eficientes energeticamente!