domingo, outubro 05, 2008

Bolhas

Está na moda o termo "Bolha". Mas um dos mais famosos foi a do início desta década quando muitas empresas nas Tecnologias Informáticas (TI) no mundo, sobrevalorizadas, acabaram por perder milhões, ser compradas por outras, ou simplesmente desaparecer. No entanto o mercado das TI não acabou ai, muito pelo contrário, surgiram novas empresas, novos serviços e a famosa expressão do Web2.0, já se falando no Web3.0.

Hoje em dia a bolha é outra, e já rebentou: o mercado imobiliário Norte-americano. Esta bem mais grave e abrangente, com poder de influenciar as finanças mundiais e, por arraste, a economia mundial.

No meio desta convulsão, e mesmo antes da mesma, já se uma outra eventual bolha se visualizava: "uma bolha verde". Nesta estão os negócios ambientais, do carbono e das Energias Renováveis (ER). O problema não está se eles existem ou são rentáveis. O problema está quando os mesmos são sobrevalorizados no sentido de fazer render o máximo possível e mais rápido possível a apenas alguns "investidores".

Não haja dúvida que o mercado dos produtos "verdes" é um mercado atractivo. No entanto o mesmo deve ser, como em qualquer investimento e negócio, bem organizado e gerido. Quando começam a entrar no mesmo os especuladores, o mesmo e distorcido. Mais uma "imperfeição do mercado".

As ER são e serão no futuro um bom negócio, mas como em tudo, não se pode cair na tentação de "matar a galinha dos ovos de ouro". A entrada de investidores e de gestores que, como em Wall Street, querem ter grandes lucros em pouco tempo, não é de certo benéfico para a sustentabilidade de nenhum negócio.

Bons investidores, gestores assim como regulação precisa-se, de forma a não criar falsas expectativas e maus negócios. Não é apenas um problema de consciência é também um económico e um problema legal.

2 comentários:

pmonteiro disse...

Excelente e muito pertinente... afinal, de boas intenções está o inferno cheio! A posição que expõe merecia muito mais atenção e divulgação entre todos os que se preocupam com o ambiente. Também convém lembrar que cada vez consumimos mais produtos supostamente "verdes", mas que são como as uvas - não prestam!

Carlos Ferreira disse...

Não estou certo de que se trate de uma bolha. Muita da retórica actual vai no sentido de se criarem empregos "de colarinho verde" O assunto está a ser discutido já há algum tempo no Environmental Economics. Algumas das ideias do John Whitehead:

http://www.env-econ.net/2008/04/curiouser-and-c.html
http://www.env-econ.net/2008/11/inkstain-gets-i.html

Essencialmente, a conversão para uma economia com menos carbono será sempre complicada e, apesar de poder criar empregos no curto prazo, não é a resposta.

Também não estou certo que a finança de carbono (os sistemas de "cap-and-trade") que estão a ser implementados venham a criar uma bolha especulativa. Haverá de futuro muita intervenção estatal de forma a re-distribuir os lucros desses sistemas em outras necessidades sociais - veja-se que 12% dos lucros da ETS já vão para a reconversão da produção de electricidade da Polónia...

Quanto aos produtos "verdes", aí estamos de acordo. Mas quem terá capacidade para substituir capital neste momento?