segunda-feira, março 17, 2008

Excessos solares no RCCTE

O novo Regulamento do Comportamento das Características Térmicas dos Edifícios (RCCTE), publicado em 2006 visa, entre uma quantidade de requisitos, a promoção de sistemas solares térmicos para o aquecimento de águas sanitárias, através da obrigatoriedade de instalação de 1 m2 por pessoa.

Aqui começa um problema. 1 m2/pessoa, independentemente da região do país, para além de não fazer muito sentido, está completamente desajustado dos valores convencionais de dimensionamento "médio", que para um colector solar bom, bastaria entre 0.5 e .8 m2/pessoa.
Este padrão de 1m2/pessoa, em quase todos os projectos que respeitem à letra este valor, irá originar sistemas sobredimensionados, com consequências que se irão sentir no curto prazo no Verão (sobreaquecimentos constantes) e no longo prazo (maiores custos de manutenção e menor tempo de vida dos sistemas).

Na realidade, em vez de se promover a eficiência energética, o sobredimensionamento beneficia indirectamente os colectores solares menos eficientes e de menor qualidade.

Uma lógica muito mais simples seria o estabelecer de um valor mínimo médio de energia por pessoa, que o sistema solar deveria fornecer. Por exemplo, considerando que, para aquecer os banhos de uma pessoa durante um ano (40 litros a 60ºC), seriam necessários cerca de 764 kWh/ano. Considerando ainda uma percentagem mínima de 60%, resultaria uma energia mínima de 458 kWh/ano por pessoa.

Este valor é ainda um valor elevado, uma vez que o consumo de AQS não é feito a temperaturas tão elevadas (60ºC), como indicado no RCCTE, sendo mais lógico utilizador temperaturas na ordem dos 45ºC, que reduziria ainda mais os valores mínimos de energia a atingir (cerca de 380 kWh/pessoa.ano).

No entanto valores na ordem dos 450 kWh/pessoa.ano já poderiam reduzir significativamente os problemas de sobredimensionamento latentes no actual regulamento.

Esperemos que os gestores do SCE (a ADENE), estando já alertados para o caso, sejam céleres em modificar o RCCTE, ou pelo menos informar os peritos desta problemática, e criar mecanismos dentro do espírito da lei, passíveis de reconhecer eficiência energética dos sistemas solares e não "queimar" a energia solar térmica.

9 comentários:

Luis disse...

Em 2007-12-07 enviei um email à ADENE a alertar exactamente para esta situação. Aqui, como em muitos outros casos, mais acaba por ser menos: a regra de ouro continua ser com conta, peso e medida...

Poder-se-ia também dizer que a tendência geral dos nossos tempos para o excesso é tão invasiva que se manifesta até quando se pretende poupar...

Bartolomeu disse...

Não estou propriamente muito dentro do tema em específico, mas uma vez mais se nota um dos problemas em Portugal: querer ser limitativo em algo de uma forma rígida e depressa.

A ter em conta o exercício feito pelos autores deste artigo, vemos que se tentou regulamentar algo que deve ser limitado, mas com as devidas atenções aos demais factores envolvidos, os que não controlam e que são variáveis.
Mas que provavelmente com um simples exercício, do género do que foi feito, chegariam a tais conclusões.

Isto pode ter acontecido pela simples questão de que era urgente regulamentar e impor limites (como sabemos, a pressa é inimiga da perfeição) sem pensar profundamente no assunto ou então por motivos um pouco mais obscuros.

Vamos acreditar que pela primeira razão (dado o histórico, leva um pouco de vantagem sobre a segunda).

Mas mais uma vez se mostram rigidos em colmatar esse erro, a fazer fé no comment do "Luis". O qual tem toda a razão no facto de que hoje se aposta mais numa óptica de quantidade que de qualidade (soa-me um pouco a governos com abundância de fundos europeus...será um déja vu?)

Obrigada e queria convidá-los a visitarem o meu blog:

http://o-oraculo.blogspot.com/

Anónimo disse...

oi séste asunto m diz respeito e miutu

vestel disse...

Não estou nada por dentro do assunto, mas gostei da explicação, parece-me consistente e elaborada por alguem que conhece bem o assunto.
Parabens, vou ficar atento.

Já agora, como chegou á conclusão de que anualmente se gasta na sua ideia, 380 Kw/pessoa/ano??
Como fez as suas contas??

Manuel Palácio disse...

Não está propriamente dentro do tema focado no blog, mas fiquei com curiosidade em saber a sua opinião sobre a reportagem da National Geogfraphic de Junho sobre as energias renováveis. A mim pareceu-me um diagnóstico justo do que estamos a fazer bem e mal em Portugal, mas eu não sou especialista.
Gostava de perceber porque estão as restantes fontes tão atrasadas em relação à eólica e à solar...

António Venâncio disse...

O assunto em questão é muito pertinente, e tem sido debatido em http://forum.rccte.com/index.php
No referido fórum foi dada uma indicação da ADENE que, embora contrariando a lei e sendo bastante incompleta vem resolver o problema. Propõe esta indicação que se considere um colector plano com as seguintes características
η0 = 0,69
a1 =7,5 W/m2/K
a1 =0,014 W/m2/K2

Se calcule o E solar para este colector na localização em causa e com a área regulamentar, e em seguida se adopte um colector com qualquer área desde que garanta no mínimo o E solar anteriormente calculado.
Note-se que isto não é lei, é apenas uma indicação da ADENE, e deixa de fora questões importantes para a determinação do E solar, como as características do permutador e da acumulação.

sandra disse...

Boa noite,
A questao que coloco nao tem muito a ver com o tema em questão, mas sinceramente não encontro quem me saiba dar uma legislação concreta sobre a minha pergunta, que dá origem a variadissimas respostas, mesmo dentro do INCI:
Uma empresa de energias renovaveis, que comercializa produtos tais como bombas de calor (neste caso, aerotermia) e que instala os referidos sistemas em obras a decorrer (sem realizar trabalhos de empreiteiro como abertura de roços, assentamento de caixas, passagem de cabo electrico, etc) é obrigada ter um alvará de construçao?
Não sei se me poderá ajudar, de facto há quem exija alvará´, e nao sendo obrigatório, exigem-nos documentaçao escrita por parte do INCI, que se tem remetido ao silencio(coloquei a questão por escrito há 3 semanas)
Desde já o meu obrigado
Sandra R.

espanhol disse...

Qualquer empresa que pretende executar uma construção (até determinado montante) com alguma especialidade técnica deverá ter alvará correspondente. Assim sempre que a intervenção careça de licenciamento, os intervenientes nas várias especialidades deverão ter o alvará da categoria ou subcategoria correspondente.

No entanto apenas para obras acima de 15500 € é obrigatório o Alvará. podendo optar pelo:


TÍTULO DE REGISTO

Uma empresa detentora de Título de Registo apenas poderá requerer a habilitação para executar os trabalhos abaixo designados, no valor máximo de 15.500 euros, por obra:

* Alvenarias, rebocos e assentamento de cantarias
* Estuques, pinturas e outros revestimentos
* Carpintarias
* Trabalhos em perfis não estruturais
* Canalizações e condutas em edifícios
* Instalações sem qualificação específica
* Calcetamentos
* Ajardinamentos
* Instalações eléctricas de utilização de baixa tensão
* Infra-estruturas de telecomunicações
* Sistemas de extinção de incêndios, segurança e detecção
* Armaduras para betão armado
* Cofragens
* Impermeabilizações e isolamentos

Requisitos de acesso à actividade:

* Idoneidade
* Ramo de actividade adequado às subcategorias pretendidas
* Seguro de Acidentes de Trabalho

No site : (antigo IMOPI)poderá encontrar esta informação
http://www.inci.pt

Em instalações pequenas, provavelmente não lhe será exigido pelo cliente alvará ou mesmo o Título de Registo, mas convém ter os restantes requisitos e credenciação para actividades como electricidade, gás, equipamento de gás; instalador solar (como CAP e outras)

JF

Anónimo disse...

tem razão no que escreveu...não leve a mal no que lhe vou dizer, mas é melhor actualizar-se...Carlos Pinto