domingo, agosto 13, 2006

Eficiência energética?

Mais um verão quente que se instala, e nada como estar no fresco do gabinete de trabalho com o ar condicionado no máximo. No entanto, a que custo?

Sabemos que em Portugal a eficiência energética está longe de ser a regra.

No sector dos edifícios, e após muitos anos de inoperâncias, em 2007 entrará em vigor o sistema de certificação energética de edifícios (SCE). Já em 2006 foram publicados as novas versões do RCCTE e do RSECE.

Com estes regulamentos pretende-se, de uma forma geral, reduzir os consumos energéticos nos edifícios, aumentando assim a sua eficiência energética.

Mas a realidade de uma grande parte da nossa edificação, tanto de edifícios domésticos como de serviços, revela graves deficiências nestas áreas.

Soluções simples, como paredes duplas com isolamento e vidros duplos, só começaram a ser aplicadas nos últimos anos.

Como é do conhecimento geral, a edificação dos anos 80 e 90, principalmente nas áreas suburbanas, foi um exemplo a não seguir, tanto do ponto de vista energético, como do ponto de vista do ordenamento do território.

A eficiência energética, tanto nos edifícios, como em todas as actividades consumidoras de energia, tem de ser a primeira directiva na área da energia.

Não podemos continuar a gastar (mal) a energia como até agora.

Não podemos apontar o dedo só à falta de políticas estratégicas, porque o gesto simples de apagar a iluminação do quarto vazio ou de comprar um electrodoméstico mais eficiente, só depende de nós.

É possível ter conforto e ao mesmo tempo reduzir os consumos, a isto se chama ser eficiente!

10 comentários:

Bartolomeu disse...

Eu julgo que este problema de ineficiência energética aque assistimos no país prende-se, a meu ver, com dois tópicos fundamentais (não menosprezando, é claro, outros): a mentalidade portuguesa e o factor económico.

Ora, como todos sabemos a mentalidade da sociedade portuguesa é muito limitada no que toca a estes aspectos. Isto porque a grande maioria dos portugueses tem o pensamento de "ah se eu gastar mais não vai ter importância nenhuma nisto" e o de "eu quero é estar bem e os outros que poupem", ou ainda "ah..a àgua nunca vai acabar, porque estamos com preocupações?".
É triste constatar isto, mas é verdade. Além disso, a própria educação não tem sido, até recentemente, muito virada para estes aspectos ambientais e de eficiência energética, como todos sabemos.
É com muito agrado que vejo os mais jovens a participarem em campanhas ambientais e terem actividades que os alertem para estes problemas. Julgo que isto é fundamental para que, no futuro, tenhamos uma sociedade mais preocupada e mais sensível a isto.

O factor económico também se encontra muito relacionado com a parte da mentalidade, no sentido em que os senhores das empresas de construção civil tenham uma mentalidade que foque este problema e não, única e exclusivamente, a maximização dos lucros.
É neste contexto que pudemos desenvolver o factor económico visto que, segundo este artigo, no que toca à construção de infraestruturas que minimizem as ineficiências. Estas acarretam mais custos à obra e, como tal, ou diminui a margem dessa empresa (muito difícil) ou, por outro lado, encarecem o preço final (o mais provavél no caso de essas infraestruturas serem feitas). Esta última opção leva a que seja mais difícil a alguém comprá-la, no entanto, deve ser um esforço a fazer, na minha opinião.


Acho que uma reflexão sobre este temas seria muito boa na sociedade e que todos os esforços feitos no sentido de alertar as pessoas para este problema deve continuar e ser intensificada. Depende de cada um de nós, cada um pode fazer a diferença

Xicote disse...

Sem querer ser do contra, tenho de dar uma "xicotada" à implementação da melhoria da eficiência energética nos edifícios.
Não vou discutir os decreto-lei 78, 79 e 80/2006 de 4 de Abril porque os conheço mal mas a forma como estão a ser implementdos não me agrada. Foi criada a lei e está a ser anunciada a implementação para Janeiro 2007 quando os cursos de formação dos formadores dos peritos qualificados só acaba em Fevereiro. Depois ainda falta a formação dos peritos. Mais, o programa de cálculo de acordo com a legislação anterior (RCCTE) estava disponível no site da ACEPE - ASSOCIAÇÃO INDUSTRIAL DO POLIESTIRENO EXPANDIDO http://www.acepe.pt/rccte/rccte.asp.
Isto é estranho!! Estão é uma associação industrial que disponibiliza gratuitamente um programa que permite a correcta implementação da lei?!!!!
A ACEPE já se prontificou a actualisar o programa de cálculo de acordo com o novo decreto-lei.
Então e o que é feito dor organismos que têm protocolos com o SCE (Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior nos Edifícios), como sejam a Ordem dos Arquitectos (OA), a Ordem dos Engenheiros (OE), a Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos (ANET), a Direcção Geral de Geologia e Energia (DGGE), o Instituto do Ambiente (IA) e o Conselho Superior das Obras Públicas e Transportes (CSOPT)?
Estão apenas a preparar burocracias ou têm de facto uma parte activa na implementação das leis???

O que eu quero dizer é que quem for actor destas leis tem de ter meios. Quem faz as leis ou talvez que as tem de implementar, a ADENE neste caso, deveria ter o cuidado de garantir esses meios. As coisas não se fazer porque alguem manda.
As coisas fazem-se com pessoas formadas e motivadas, munidas dos meios necessários para cumprirem a sua missão.
Esta é uma forma muito Portuguesa de fazer as coisas. Já vai sendo tempo de todos aprenderem com as coisas menos bem feitas no passado e melhorar a forma de fazer/implementar leis.

Só espero que isto seja corrigido num futuro próximo.

Anónimo disse...

Embora o que vou aqui referir não tenha nada a ver com eficiência energética, tem a ver com o verão quente deste ano e com os comentários e afirmações de certos políticos.
Penso que tenha sido ontem que o ministro António Costa e o ministro do desenvolvimento rural (acho eu) afirmaram que será para breve a implementação de uma central de biomassa para aproveitamento dos resíduos florestais!!!!!!
Eu não percebo nada disto, tou a brincar, mas para mim biomassa não é propriamente galhos velhos e folhas secas a arder num queimador de uma caldeira. E mais, com tantas preocupações com o envio de CO2 para a atmosfera e as multas do tratado de Quioto e vêm agora falar de uma central de biomassa que serve basicamente e pelo que percebi para queimar lenha!!
Não é que seja um adepto fervoroso das energias renováveis, não ando por aí a frequentar manifestações nem coisa do género, mas o meio ambiente preocupa-me de facto e acho que os políticos deste país estão cada vez mais estupidos!

Peço desculpa pela frontalidade e já agora não acho que lenha seja uma energia renovável.

Se me pudessem elucidar em relação a este assunto agradecia.

PS: porque é que neste blog só focam as mini-hídricas enquanto fonte renovável, que saiba as hídricas "normais" também funcionam a água!!

Agradecido pelo local à disposição e mais uma vez peço desculpa por ter escrito neste post, mas não encontrei nenhum mais adequado.

PER disse...

Caro Anónimo,

A biomassa é considerada uma energia renovável, apesar de emitir CO2 na sua conversão, porque a mesma pode ser capturada pela plantação de novas culturas, i.e., o CO2 emitido pode ser "consumido" por plantas novas.

Isto é válido tanto para a lenha como para os biocombustíveis, porque as emissões na sua grande maioria podem ser anuladas por novas plantações.

Ao contrario, a conversão dos combustíveis fosseis em energia, liberta CO2 capturado a milhões de anos o qual não pode (pelo menos com as tecnologias actuais) ser capturado, quebrando assim o equilíbrio entre a produção e o consumo de CO2.

Para acabar, tanto as minihídricas como a grandes hídricas, tem a mesma fonte, a água, pelo que podem ser consideradas energias renováveis, claro que o eventual impacto ambiental de umas e de outras pode ser bastante diferente. Mas sem ser fundamentalista, a opção por mais uma central de "queima de carvão", ou por uma grande hídrica, deveria recair sobre a hídrica, mas com os devidos estudos (independentes!) e análises técnica/económica e ambiental.

jf

bodointernational disse...

Estou em Portugal de negócios e vejo que a situac,ao aqui está muito precária. Paises como a Espanha ou Grécia adotaram medidas decididas no sentido de criar uma política energética voltada para o futuro.
Como nao entendo muito da situac,ao em Portugal, queria saber mais a respeito dela. Queria saber se aqui em portugal existe uma lei, um projeto parecido com a "lei dos 100.000 telhados" existente na Alemanha. Essa lei visa a fomentar a proliferac,ao da energia solar subsidiando a venda de energia produzida pelas casas próprias. Nestes termos, o vendedor particular recebe um prec,o mais alto (o dobro) do que paga ao comprar das empresas geradoras de eletricidade. o governo subsidia justamente essa diferencia de prec,os e dá uma garantia por um prazo de 15 anos (ou talvez até 20 anos, nao tenho certeza no momento).
Isto é um incentivo muito importante para o proprietário de uma casa particular investir nas energias renováveis, pois valoriza a casa própria e traz rendimento financeiro.
Queria saber se uma lei parecida existe aqui em Portugal.
Por favor, me mandem maiores informac,oes para:
bodointernacional@gmx.de

Um abrac,o

Rogério

Xicote disse...

Olá anonymous, no seguimento do que foi dito e segundo a Directiva 2003/30/CE de 8 Maio de 2003 são considerados os seguintes biocombustíveis:

- o bioétanol: produto da fermentação de plantas ricas em açucar/amido;
- o biodiesel : combustível de qualidade diesel produzido apartir da biomassa ou de óleo de fritura e utilizado como biocombustível;
-ETBE: bioetanol esteríficado;
- biogaz: gaz combustível produzido por fermentação de materias organicas na ausência de oxigenio por bacterias;
- biometanol: metanol produzido apartir d biomassa;
- bio-óleo: óleo obtido por pirólise (decomposição molecular da biomassa sob acção do calor e na ausência de ar)

(tradução livre de http://europa.eu/scadplus/leg/fr/lvb/l21061.htm)

Anónimo disse...

O meu muito obrigado ao Jsaraiva e ao xicote pela explicação. Agora já estou mais elucidado. Não é por nada mas às vezes sou um pouco preguiçoso em termos de ler sobre certos assuntos e assim torna-se mais fácil obter a informação.

Agradecido ( o anónimo)

Ricardo Pinto disse...

para um condominio de grande dimensões qual a utilidade q poderemos obter para a sua funcionalidade em termos de energia solar e custos em Oeiras? Elevadores, aquecimento de aguas (piscinas), sauna, rega,iluminação, etc.

João disse...

A meu ver a eficiência energética tem tudo a ver com gastos e retorno do capital. A essência da questão, não deveria passar por obrigar por exemplo à instalação de painéis solares, mas sim incutir na sociedade esse espírito e claramente, tornar esses produtos acessíveis para todos. Tenho a certeza absoluta que se a maior parte das pessoas fizesse contas no que diz respeito ao investimento e proveitos que vão tirar, de certeza que a mentalidade mudaria para melhor!
Temos o exemplo das grandes empresas, que aliado ao ambiente têm sempre o factor económico em conta. Existe cada mais uma preocupação com os gastos energéticos, logo para diminuírem esses gastos, vão directamente actuar a favor do ambiente.
Deixo-vos um exemplo de um produto: o Fluoresave. Este produto simplesmente reduz em cerca de 30% os gastos em iluminação. Sei que existem já grandes superfícies comerciais a instalar, que de certeza só pensarão na parte económica, mas
ao mesmo tempo estão a contribuir para um melhor ambiente! E como estes existem mais!
Seria importante apoiar e incentivar a este tipo de soluções, pois e a meu ver, a eficiência energética não se obtém de palavras, mas sim com actos e com soluções concretas.

pedro disse...

ESTAS BURUCRACIAS INTERESSAM AOS POLITICOS/ELEFANTES BRANCOS( VENDEDORES DE COMBUSTÍVEIS) ESTA RAPASIADA ESTÁ Á ESPERA DE SER PROCESSADA EM TRIBUNAL EUROPEU.......FAZEM UM FAVOR AO GOVERNO PARA DESPEDIR POR JUSTA CAUSA UNIVERSITÁRIOS SUBSIDIARIOS A METEREM-SE COM O PESSOAL DAS OBRAS www.linopedro.home.sapo.pt