domingo, fevereiro 12, 2012

Uma fatura que ninguem quer pagar

Numa altura em que a austeridade é a palavra na moda, seguida de cortes e mais cortes, alguns dos nossos “think tanks” voltam a carga contra os “custos” das renováveis na fatura energética.

Em primeiro lugar, como país livre e democrático todos temos direito a expressar a nossa opinião, mas como sabemos dificilmente a mesma é desprovida de interesses, sejam estes quais forem (económicos, pessoais, etc.).

As análises feitas, independentemente de algumas acertadas, carecem de independência e por vezes as mesmas são enviesadas e tendenciosas.

Em segundo lugar não devemos colocar as renováveis “todas no mesmo saco”. A energia Hidrelétrica continuava a representar no final 2011, mais de 50% da potência instalada, seguida da Eólica, com perto de 40%, sendo que o resto se divide entre a biomassa, biogás e fotovoltaica. Alias, a fotovoltaica, representa menos de 1,5%.
Sendo um facto que a maior parte das fontes de energia renovável para produção de energia elétrica tem um custo de produção acima do valor médio das convencionais, pelo que tem de subsidiadas numa primeira fase de desenvolvimento, não é mentira que as energias convencionais, como o gás natural, também foram subsidiadas a quando a sua introdução. Não esquecendo que as tecnologias de conversão convencional termelétricas têm cerca de 100 anos de desenvolvimento tecnológico, o que permite o nível de custos atuais.
Já nas renováveis, algumas das tecnologias de aplicação direta, como o solar térmico, nem necessitam de subsídios para serem viáveis na maior parte das aplicações.

Tecnologias como o fotovoltaico, que numa primeira análise apresentam custos de €/kWh relativamente elevados aos custos médios diretos de produção de eletricidade, devem ser comparadas sim com os custos da compra dos consumidores uma vez que, para além de ser produção distribuída, a sua colocação pode ser local (na cobertura do imóvel do consumidor).

Em terceiro lugar, o balanço deve ser feito tendo em conta o custo/benefício e os custos de oportunidade. Este campo levara sempre a eterna discussão entre os números de quem é contra e dos números de quem é a favor, mas alguns dados são importantes referir:

• Globalmente, em 2008, o sector de energias renováveis contribuiu de forma direta e indireta com cerca de 2.090 milhões de euros, representando 1,3% do PIB nacional, estimando-se que em 2015 este valor aumente para 2,4%.
• Estima-se que em 2008 o sector das energias renováveis tenha representado cerca de 36.100 empregos (2.400 diretos e 33.700 indiretos).
• Até 2015, estima-se que o número de empregos relacionados direta e indiretamente com o sector de energias renováveis aumente para mais de 60.000.
• Em 2008, o sector permitiu evitar cerca de 9 milhões de toneladas de CO2, tendo sido evitados custos financeiros superiores a 190 milhões de euros.
• Em 2015, estima-se que este montante ascenda a cerca de 430 milhões de euros, correspondendo a uma poupança acumulada de cerca de 1.700 milhões de euros entre 2008 e 2015.
• Energia renovável tem contribuído para aumentar os níveis de auto-suficiência nacional, tendo em 2008 evitado custos na ordem dos 1.270 milhões de euros, valor que em 2015 se estime que atinja os 1.900 milhões de euros,

Fonte estudo Impacto Macroeconómico do Sector das Energias Renováveis em Portugal Deloitt/APREN

No campo da energia não deveremos seguramente esquecer a eficiência energética, que será sempre o primeiro passo a dar na análise e solução dos problemas energéticos.

Qualquer tipo de energia, seja convencional ou renovável tem o seu custo, “não há almoços grátis”!. No entanto ele deve ser bem determinado incorporando todas as externalidades e custos indiretos no mesmo, o que por vezes não é feito, assim como contabilizar os seus benefícios direto e indireto.

Para finalizar, não será nenhuma solução centralizada, como o nuclear que irá resolver o problema energético nacional, seja do ponto de vista estratégico, económico ou ambiental, mas sim um mix energético que começa na eficiência energética e passa pelas várias tecnologias renováveis e convencionais adaptadas a cada caso, de forma a maximizar as suas potencialidades.

Este texto foi escrito, em modo tentativa, de acordo com o novo acordo ortográfico. :) 

3 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia. Me chamo Tatiana e sou jornalista em uma assessoria de imprensa na Espanha. Contratamos bloggers para escrever publieditoriais e o seu blog tem o perfil de um de nossos clientes. Seu trabalho seria escrever um post sobre energia renovável. Pagamos pela colaboraçao. Se te interessa a campanha entre em contato comigo para que te passe todos os detalhes: tsegala@geoseo.es

Obrigada

Anónimo disse...

Classificação Fiscal

Jarbas Freitas disse...

dicas para economia de energia elétrica
http://energiamaiseficiente.blogspot.com.br/