domingo, janeiro 31, 2010

Mercado solar pode viver sem ajudas?

O mercado da energia solar térmica português pode vir a estar perto do seu primeiro grande desafio em 2010, que mostrará ou não a possibilidade da continuidade de muitos dos seus players e a sua sustentabilidade a médio/longo prazo.

2009 foi um ano de crescimento atribulado. Começou com uma medida de apoio (Medida Solar Térmico 2009 (MST)) muito pouco consensual, a qual foi “evoluindo” à medida que os actores tomaram posição na procura de encontrar uma forma de beneficiar da mesma.

Apesar de muitas criticas, o facto é que a medida teve o condão de despertar uma parte do público em geral para uma das soluções de energias renováveis que está mais ao seu alcance, e das mais rentáveis, mesmo sem incentivos.

As 51.000 instalações anunciadas ao abrigo da MST, significando cerca de 250.000 m2 de colectores solares, representam por si só um crescimento de mais de 300% no YOY.
Mais dúvidas ficarão no que se refere à qualidade das mesmas, em especial as referentes às IPSS/ADUP que, tendo em conta o tempo do processo, a quantidade de adesões, a capacidade de respostas dos fornecedores de soluções e a dimensão de muitas das instalações, poderão indiciar que os números não são tão bons quanto isso.
Possivelmente teremos metros quadrados instalados, mas poderemos passar ao nível seguinte de metros quadrados a funcionar? Ou mesmo ao nível de medir o seu real contributo em termos de energia produzida?

Tendo em conta a velocidade a que se fizeram e ainda se pretende que se façam muitas das instalações “encomendadas” em 2009 são dúvidas que permanecem no ar.

Passando ao que virá em 2010, o relatório do Orçamento de Estado de 2010 não parece ser muito animador para quem pretendia uma continuidade dos apoios. Basta ler o seguinte parágrafo:

"Em 2010, será dada continuidade ao programa, numa lógica de phasing-out, pela instalação de mais de 120.000 m2 de painéis solares encomendados ao abrigo da Medida Solar Térmico 2009, de forma a permitir que o mercado encontre soluções de equilíbrio sem apoio adicionais após uma primeira fase de estímulo da procura para consolidação deste mercado."


Significa isto que o que estava contratado em 2009 vai-se fazer, mas em 2010 não vão haver mais apoios?

Possivelmente temos aqui um caso de intervenção do estado pouco recomendável: primeiro dá um benefício extraordinário, que em alguns casos chaga a 65% a fundo perdido, sem limites de encomendas, mas com um limite temporal ínfimo de cerca de 9 meses para o doméstico e pouco mais de 4 meses para os institucionais. No ano seguinte nem um cêntimo de apoios directos!

Salva-se o apoio indirecto nas deduções aos domésticos no IRS (30% com limite de 803 €).

A frase "permitir que o mercado encontre soluções de equilíbrio sem apoio adicionais após uma primeira fase de estímulo da procura para consolidação deste mercado", será paradigmática do que virá a acontecer para a micro-bolha que se criou: o mercado irá possivelmente cair significativamente no final de 2010, uma vez que os valores de 2009 foram altamente inflacionados, o que se irá reflectir em muitas empresas que apostaram nesta área para atenuar as dificuldades económicas de 2008 e 2009.

Sendo sempre importante que o mercado procure formas de sustentabilidade, pertencendo essencialmente ao Estado um papel de regulador, todo e qualquer apoio deve ser pensado também de forma sustentável, para que o mesmo não crie disrrupções negativas no médio prazo.

Assim, a MST deveria ter tido um formato que permitisse logo de princípio o acesso dos players com condições básicas para participar no mesmo de forma sustentada e que não se transformasse no fim de 2009 uma corrida ao subsídio (ouro), com as consequências que dai advém. Deveria ou deverá permitir-se não apenas um “phasing-out”, mas uma continuidade da medida com maior transparência em certos aspectos, certamente com uma menor componente de subsídio, que progressivamente deveria ser reduzida, mas não cortada na totalidade.

Sendo que o OE2010 ainda passará por negociações na especialidade, a actual base é, pelo menos, pouco abonatória para o mercado solar térmico o qual, para o bem e para o mal, deverá confrontar-se com um cenário de desafios para 2010 no qual será necessário muito trabalho e uma grande dose de boa gestão, o que muitas vezes falta nos intervenientes do mesmo.

Em Março vamos ver o que o documento final do OE nos reservará de facto para este sector.

9 comentários:

Tomás M. disse...

Concordo plenamente! Pelas minhas fontes (Ministério da economia) os incentivos vão tardar ou (não existir pelo menos este ano.
Trabalho na área e já se sente a incerteza do cliente quanto à aquisição de energias renováveis (nomeadamente solar térmico).
Parte de nós empresas e trabalhadores no mercado de ensinar o cliente a tirar o maior proveito deste tipo de equipamentos... pois embora já exista muita informação continuam a existir clientes que dizem Só a um sistema de aquecimento de AQS por solar. Os fotovoltaico e a eólica são sempre as primeiras palavras que oiço da boca do cliente quando inicio a reunião...
Vamos com calma tudo tem o seu tempo, e este mercado para mim, neste momento está dependente da boa reputação, e boas praticas destes sistemas!!!!
E deixo uma pergunta a todos:
Se na Alemanha, um pais com menos horas de Sol e menor temperatura, têm uma mentalidade de sustentabilidade das renováveis, por que é que um país com Portugal, um dos países com as melhores condições solares da Europa, se acanha e estranha a capacidade de um sistema de energias renováveis?

dcoimbrao disse...

Visitem um site que apresenta em detalhe um projecto de microgeração realizado na zona centro de Portugal. O site contém informação dos diversos passos para a concretização do projecto, dicas para a melhor selecção dos fornecedores, e informação da produção real alcançada desde o início de produção até ao mês de Abril de 2010.
http://sites.google.com/site/energiafotovoltaicaproject/home
Sugiro que o visitem pois é um site com informação relevante para quem está a pensar em avançar com um projecto destes, ou simplesmente para conhecimento geral.

Fernanda disse...

Em minha opinião, que temos que aumentar o apoio a essa iniciativa, claro que a energia solar não produz a quantidade de energia que um hidrogerador por exemplo, mas é essencial que isso vá aumentando em escala constante se um dia quisermos tem somente energia "Limpa".

Anónimo disse...

Olá, deixo aqui um link que vos dá oportunidade de ver Portugal a inovar na área da energia solar :)

http://www.youtube.com/watch?v=iYHowiC5wJQ

Bacoco disse...

Muito bem escrito, concordo de todo com isto! :)

Era necessário um incentivo para a aplicação dos paineis.

Passem pelo meu blog e deixem a vossa opinião :)

Arménio disse...

Estes assuntos merecem reflexão.
Com decisões acertadas a nível nacional e comunitário poder-se-á caminhar na direcção certa.
Continua a ser necessário insistir na divulgação dos benefícios das energias renováveis e na promoção do acesso à sua utilização. Todo o contributo que vá nesse sentido será futuramente compensado.
Da minha parte, disponibilizo conhecimentos e ajuda a pessoas interessadas em, elas próprias, produzirem os seus aerogeradores. Faço-o no blog que criei recentemente: http://aerogeradores.blogs.sapo.pt/
Aproveito para pedir, caso julguem conveniente, que o divulguem na vossa página, em Links\Blogs. Por julgar conveniente este tipo de parcerias, irei divulgar a vossa página.
Com atitudes responsáveis no consumo energético, com estímulos positivos das autoridades, aliados a uma consciencialização geral, acredito que poderemos reduzir muitos problemas ambientais e económicos do presente.
Cumprimentos energéticos.

PER disse...

Caro Arménio.

Poderá ver em http://www.energiasrenovaveis.com/canalLinks.asp?ID_area=56 o link para o seu blog.

Obrigado pelos comentários.

PER

consultoria em energia disse...

Parabéns pelo artigo.

pauloeduardo.krause disse...

Boa Noite!

Gostaria de compartilhar minhas descobertas com todos deste site.
É possível fabricar células solares com tensão de 2.0 Volts e corrente acima de 400 mA.(ou Superior)
Após 9 meses de trabalho, dedicando 20 horas por dia, consegui desenvolver esta célula.
Em contra-partida, quase pedir a familia. Mas “…tudo vale a pena, se a alma não é pequena..”
Segue o link http://www.youtube.com/watch?v=NKMGDnTQn-o do vídeo que disponibilizei.
Desculpe-me pelos erro de grafia pois foi postado sem revisão.

O material disponibilizado nesta página serviu como base!!

Qualquer informações ou dúvida deixo meu email: svierszcz@hotmail.com

Obrigado!