terça-feira, dezembro 22, 2009

Clima de desilusão em Copenhaga

Quando as expectativas são muito elevadas é muito difícil conseguir cumpri-las. Copenhaga passou da esperança a desilusão logo no início da cimeira, culminando num documento quase vazio e decepcionante para a maior parte dos analistas.
Acabaram por impor-se as necessidades individuais de alguns países, como a China de “crescer” a dois dígitos por ano a todo custo, ou dos Estados Unidos de querer não afectar o “Americam Way of life”.
Politicamente o maior derrotado foi de longe a União Europeia. Infelizmente com a liderança política que se conhece, com boas intenções mas pouco poder de facto, os objectivos mais ambiciosos europeus acabaram por se diluir num mar de interesses internos.
A UN também não saiu ilesa do processo, tendo sido posta em causa o seu papel na gestão do problema das Alterações Climáticas, assim como o processo de aprovação de qualquer documento vinculativo.
Perdeu-se uma oportunidade para chegar a um acordo que viesse a dar continuidade ao trabalho feito no Protocolo Quioto (apesar de incompleto fase a recusa dos Estados Unidos em ratificar o Quioto), e que permitisse estabelecer um quadro relatório para os próximos 10 anos no que respeita a gestão dos recursos energéticos e naturais.
Só se salvaram 30 mil milhões no fundo para ajuda aos países menos desenvolvidos, na mitigação e adaptação as Alterações Climáticas.
Resta saber se 2010 vai ser um ano acordo ou vamos continuar a empurrar o “problema com a barriga”. Possivelmente cada vez com menos tempo para actuar, restará (ou faltará) depois apenas dinheiro para a adaptação.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Copenhaga hoje!

Passados mais de 10 anos da conferência em Quioto que deu origem ao famoso Protocolo de Quioto (PQ), hoje começa em Copenhaga uma das mais importantes conferências globais da última década, o COP15. http://unfccc.int/

Nesta cidade Dinamarquesa os grandes poluidores do mundo vão decidir o que fazer depois do Protocolo de Quito que acaba em 2012.

Os Estados Unidos parece que desta vez vão tentar uma estratégia nova, em vez de negar e contrariar, tentarão encontrar soluções. A expectativa é muito elevada, uma vez que está em jogo um acordo que possa minimizar as consequências (im+previsíveis) das emissões dos Gases de Efeito de Estufa.

Ao lado dos antigos grandes poluentes, surgem países como a China e Índia, que muito em breve passaram ao topo da lista de produtores de GEE, sendo que no PQ não tinham nenhum limite a cumprir devido à sua condição de pais em vias de desenvolvimento. Aliás este ponto foi sempre um dos mais controversos do PQ, uma vez que alguns países como os Estados Unidos e Austrália usavam a questão da “concorrência desleal” como desculpa para a não assinatura do PQ.

No entanto no próximo acordo, estes países não irão ficar de fora, uma vez que o seu peso nas emissões de GEE passou a ser bastante considerável nos últimos 10 anos, e sem esforços de mitigação por parte dos mesmos será muito difícil chegar a algum acordo. Aqui poderá residir o grande problema: dinheiro!

Os países em vias de desenvolvimento, mas com emissões de GEE significativas, exigem ajudas financeiras e transferência de tecnologia, isto somado ao esforço que cada país, dito desenvolvido, deverá fazer e numa altura de crise económica mundial não parece ser nada fácil.

Sendo que a própria crise económica é, pelas piores razões, uma acção mitigadora das emissões de GEE, a mesma não pode servir de entrave para um problema que não é de curto ou médio prazo, e que é estrutural e não conjuntural.

Independentemente do resultado, será importante que exista claramente um novo caminho e meios para o percorrer, no sentido de poder dar continuidade e melhorar o actual mecanismo de controlo das emissões de GEE e minimizar eventuais consequências das Alterações Climáticas.

Resumidamente: entendam-se para o bem da humanidade!

JF

domingo, dezembro 06, 2009

Cimeira de Copenhaga

No dia 7 de Dezembro começa a cimeira do Clima em Copenhaga. As expectativas criadas em torno desta cimeira são gigantescas e todos se perguntam quais os objectivos que os países do mundo vão estabelecer para a luta contra as alterações climáticas. É pena que esta decisão seja entregue aos políticos do mundo e não aos seus cidadãos, mas sejamos positivos e esperemos que os lobbies do “Business as usual” não tenham sido mais fortes que o futuro sustentável dos humanos no planeta Terra.

Num curto parágrafo diga-se que o período humano na Terra nem sequer se consegue identificar na vida do planeta, mas teve já um impacto negro na biodiversidade do planeta comparável ao desaparecimento dos dinossauros!

Olhemos então para a sustentabilidade dos humanos no planeta. O que necessitamos para viver? Dinheiro é uma resposta errada. Necessitamos de terra, água e energia. Os recursos na terra são finitos e quantificáveis. A Global Footprint Network fez os cálculos dos recursos existentes no planeta e os que consumimos actualmente nas diversas partes do mundo e temos o seguinte panorama.






Os únicos com disponibilidade em termos de recursos são a América do Sul, os países Europeus que não estão na EU e a África. Se repararmos bem estas regiões são onde estão muitos dos países ditos em desenvolvimento e todas as regiões que consomem mais do que têm são onde estão os países, ditos, desenvolvidos. Alguma coisa está errada!

Vejamos então o que aconteceria num mundo, dito desenvolvido ou em desenvolvimento se tomássemos os padrões de consumo de cada uma destas regiões.



È triste de chegar à conclusão que os países desenvolvidos são tudo menos desenvolvidos e os em desenvolvimento são os sustentáveis! Sim África e Ásia Oriental são os únicos a viver abaixo da capacidade do planeta e temos quase 5 planetas para o modo da América do norte e 2,5 planetas para a União Europeia!

Que estamos a discutir na Cimeira de Copenhaga? O que os países ricos e consumidores (seria mais correcto dizer estragadores) podem fazer pela sustentabilidade do planeta? Não deveríamos antes olhar para as nações sustentáveis e aprender com elas? A arrogância é um defeito tremendo dos humanos e esperemos que na Cimeira de Copenhaga consigamos ser um pouco mais humildes.

Façamos um exercício bruto de retirarmos a globalização e apenas olharmos para os recursos de cada região versus a população que podem sustentar, tendo em conta o consumo actual, e a população que têm. Este exercício pode também ser uma forma de avaliara a verdadeira capacidade económica de cada região e explica as crises económicas que os países, ditos, desenvolvidos atravessaram, atravessam e atravessarão, caso não se faça alguma coisa “different than usual”.




Cerca de 30% da população da América do Norte “está a mais”, mais de 50% da EU “está a mais”, 50% da população da Ásia Oriental e cerca de 44% no Médio oriente e Ásia Central “estão a mais”. Isto demonstra que as regiões onde ainda se pode “explorar alguma coisa” são a América do Sul com uma capacidade de duplicar a sua população, os países europeus não da EU com uma capacidade de crescimento de 65% e África com quase 30% de margem. Se olharmos para estas áreas vemos que são exactamente aqui que mais países pobres estão localizados e por que razão continuarão a ser pobres.
No total temos 20% de população “a mais” no mundo. Isto leva-nos a analisar as políticas de ajuda ao crescimento da população na Europa e perguntamo-nos porquê? Queremos continuar a ter desigualdades no mundo desta ordem? Pessoas com 5 vezes o que o planeta tem disponível para eles? Se a igualdade é um objectivo da nossa sociedade como a vamos atingir com o aumento da população e ainda por cima nas regiões mais consumidoras?

Estes pontos devem-nos fazer pensar e alterarmos os nossos padrões de consumo, modos de vida e mentalidades. Os valores da Revolução Francesa Liberdade, Igualdade e Fraternidade são válidos só nalgumas zonas do mundo? Existe vida para além do consumo e do modo de vida designado por desenvolvido e essa vida é aquela que devemos adoptar.

O PER como portal de língua portuguesa saúda os Brasileiros e Africanos pela sua sustentabilidade – adaptação aos recursos existentes – e não podemos dar os parabéns a Portugal porque 2,5 planetas em média na UE são um desastre. No PER já temos um site de emissões zero (parceria com a empresa Off7) e pessoalmente tentamos todos ser mais sustentáveis e contribuir para reduzirmos os nossos consumos.

PER