domingo, outubro 11, 2009

Medida Solar 2009: escolha complicada?

Desde o lançamento da medida Solar Térmica 2009 do Governo, sistema de incentivos ao solar térmico para o sector doméstico, muita coisa mudou neste programa e no próprio mercado solar.

Desde um início polémico, fechado apenas a dois fornecedores, passando depois a apenas fornecedores portugueses, acabando hoje aberto a quase todos os fornecedores de colectores solares certificados, fabricados ou com representantes ou distribuidores nacionais, o processo parece ficar bastante aquém dos objectivos iniciais de entre 250 mil a 300 mil m2 até ao fim de 2009. Segundo os últimos dados divulgados pelo MEI, os valores não chegarão aos 100 mil m2.

Os cerca de 100 mil m2 até não é um valor desprezável, tendo em conta que em 2008 instalaram-se em Portugal cerca de 70 mil m2 sem ajudas, e os valores de 2009 não tem em conta o mercado fora do programa (obrigatoriedade do RCCTE, concursos públicos, cadernos de encargos, etc.).

Os objectivos do governo e que foram nitidamente "sobredimensionados".
Dentro do programa as dificuldades hoje passam por, numa primeira fase, escolher entre 30 a 40 ofertas do mesmo modelo de produto. Possivelmente a única variável de comparação será a energia anual (kWh ano) produzida pelos sistema solar, um valor obtido por simulações para Lisboa em condições ideias, e que os fabricantes não foram responsáveis pela sua veracidade.

Depois o preço, claro que será de suspeitar valores muito fora da média, como acontece num pequeno conjunto de fornecedores.

Retirando os que diferem em mais de 15-20% da média de preços, o rácio Preço/energia (€/kWh), será possivelmente uma base para poder escolher um equipamento.
Depois de ir ao banco, escolher a melhor opção pode ser outra tarefa difícil para os menos informados. Recomendar-se um contacto telefónico com o fornecedor ou com a linha de apoio do programa, ou em casos de muitas dúvidas, solicitar no banco a tal visita prévia, que tem um custo de 50 € não reembolsável (o que é pouco lógico, mas são os custos do sistema…).

Na instalação cuidado com os extras. Os pacotes do governo incluem o mínimo para funcionar. Mais do que dez metros de distância do ponto de interligação ou trabalhos de construção civil são todos debitados como extras. Se os valores do orçamento dos extras por parte dos instaladores (ao serviço dos fornecedores de soluções) forem mais de 20% do valor de base, pedir esclarecimentos ou mesmo reclamar ao fornecedor será a melhor solução.

E depois não se esqueça de pedir o contrato de manutenção de 6 anos assinado, o certificado do equipamento e o da garantia e ainda documento comprovativo do responsável pela instalação, que deverá ter o CAP de instalador solar. Estes documentos, para além de obrigatórios ao abrigo da medida, são necessários para futura contabilização da contribuição do sistema solar para a redução dos consumos energéticos em sede de certificação energética da habitação (RCCTE).

O processo está longe de ser o melhor, nasceu enviesado, mas tem sido de certa forma corrigido e apesar de estar longe de ser o melhor, representa hoje a maior promoção ao Solar Térmico em Portugal, com apoios directos e indirectos que permitem reduzir o custo dos sistemas solares em cerca de 50%.

Se tiver condições para a instalação de um sistema solar térmico, até ao fim de 2009 aproveite a campanha, mas seja crítico na escolha e exija todos os esclarecimentos necessários aos vários intervenientes do processo (estado, bancos, fornecedores e instaladores).