domingo, dezembro 06, 2009

Cimeira de Copenhaga

No dia 7 de Dezembro começa a cimeira do Clima em Copenhaga. As expectativas criadas em torno desta cimeira são gigantescas e todos se perguntam quais os objectivos que os países do mundo vão estabelecer para a luta contra as alterações climáticas. É pena que esta decisão seja entregue aos políticos do mundo e não aos seus cidadãos, mas sejamos positivos e esperemos que os lobbies do “Business as usual” não tenham sido mais fortes que o futuro sustentável dos humanos no planeta Terra.

Num curto parágrafo diga-se que o período humano na Terra nem sequer se consegue identificar na vida do planeta, mas teve já um impacto negro na biodiversidade do planeta comparável ao desaparecimento dos dinossauros!

Olhemos então para a sustentabilidade dos humanos no planeta. O que necessitamos para viver? Dinheiro é uma resposta errada. Necessitamos de terra, água e energia. Os recursos na terra são finitos e quantificáveis. A Global Footprint Network fez os cálculos dos recursos existentes no planeta e os que consumimos actualmente nas diversas partes do mundo e temos o seguinte panorama.






Os únicos com disponibilidade em termos de recursos são a América do Sul, os países Europeus que não estão na EU e a África. Se repararmos bem estas regiões são onde estão muitos dos países ditos em desenvolvimento e todas as regiões que consomem mais do que têm são onde estão os países, ditos, desenvolvidos. Alguma coisa está errada!

Vejamos então o que aconteceria num mundo, dito desenvolvido ou em desenvolvimento se tomássemos os padrões de consumo de cada uma destas regiões.



È triste de chegar à conclusão que os países desenvolvidos são tudo menos desenvolvidos e os em desenvolvimento são os sustentáveis! Sim África e Ásia Oriental são os únicos a viver abaixo da capacidade do planeta e temos quase 5 planetas para o modo da América do norte e 2,5 planetas para a União Europeia!

Que estamos a discutir na Cimeira de Copenhaga? O que os países ricos e consumidores (seria mais correcto dizer estragadores) podem fazer pela sustentabilidade do planeta? Não deveríamos antes olhar para as nações sustentáveis e aprender com elas? A arrogância é um defeito tremendo dos humanos e esperemos que na Cimeira de Copenhaga consigamos ser um pouco mais humildes.

Façamos um exercício bruto de retirarmos a globalização e apenas olharmos para os recursos de cada região versus a população que podem sustentar, tendo em conta o consumo actual, e a população que têm. Este exercício pode também ser uma forma de avaliara a verdadeira capacidade económica de cada região e explica as crises económicas que os países, ditos, desenvolvidos atravessaram, atravessam e atravessarão, caso não se faça alguma coisa “different than usual”.




Cerca de 30% da população da América do Norte “está a mais”, mais de 50% da EU “está a mais”, 50% da população da Ásia Oriental e cerca de 44% no Médio oriente e Ásia Central “estão a mais”. Isto demonstra que as regiões onde ainda se pode “explorar alguma coisa” são a América do Sul com uma capacidade de duplicar a sua população, os países europeus não da EU com uma capacidade de crescimento de 65% e África com quase 30% de margem. Se olharmos para estas áreas vemos que são exactamente aqui que mais países pobres estão localizados e por que razão continuarão a ser pobres.
No total temos 20% de população “a mais” no mundo. Isto leva-nos a analisar as políticas de ajuda ao crescimento da população na Europa e perguntamo-nos porquê? Queremos continuar a ter desigualdades no mundo desta ordem? Pessoas com 5 vezes o que o planeta tem disponível para eles? Se a igualdade é um objectivo da nossa sociedade como a vamos atingir com o aumento da população e ainda por cima nas regiões mais consumidoras?

Estes pontos devem-nos fazer pensar e alterarmos os nossos padrões de consumo, modos de vida e mentalidades. Os valores da Revolução Francesa Liberdade, Igualdade e Fraternidade são válidos só nalgumas zonas do mundo? Existe vida para além do consumo e do modo de vida designado por desenvolvido e essa vida é aquela que devemos adoptar.

O PER como portal de língua portuguesa saúda os Brasileiros e Africanos pela sua sustentabilidade – adaptação aos recursos existentes – e não podemos dar os parabéns a Portugal porque 2,5 planetas em média na UE são um desastre. No PER já temos um site de emissões zero (parceria com a empresa Off7) e pessoalmente tentamos todos ser mais sustentáveis e contribuir para reduzirmos os nossos consumos.

PER

4 comentários:

Anónimo disse...

Boa Tarde,

Em primeiro lugar deixe-me felicita-lo pelo bom trabalho que tem feito.

Mas no que toca ao seu artigo de opinião sobre a cimeira de Copenhaga (aquele que nos fala dos tons de co2 por habitante)
discordo completamente, pois estamos a falar de co2 por habitante) não esquecendo que a china tem os tais 1400milhoes de habitantes é normal ter a mais baixa taxa de c02 por habitante,Por mais que a sua industria seja enorme o numero populacional é gigantesco, este factor não equilibra a balança que é (os tons de co2 por habitante) ora se os EUA ou a EU tivessem o mesmo numero de habitantes com certeza teria um teor de co2 menor do que tem, não nos vamos esquecer que a China ainda é um pais em desenvolvimento que utiliza sobre tudo, carvão e madeira para produção energética, não estou de maneira nenhuma a defender a Europa ou os EUA, ou contra a China, só acho que a China foi um mau exemplo.
Não se pode comparar países no que toca a este assunto, pelo menos assim.

dirmeão voçes que por China ter um maior numero de habitantes tambem deveria ter maior emissão de co2, ao que me defendo dizendo que mais de metade da população chinesa vive miseravelmente!

Um pais em desenvolvimento e um pais desenvolvido não podem ser comparados.

Os desenvolvidos devem restaurar os danos causados e os em desenvolvimento devem precave-los.

Mas não nos vamos guiar por números que não são a a verdadeira realidade

(esta é a minha opinião, julgo não estar enganado, em todo o caso, peço desculpa se cometi algum erro, ou ofensa)

Agostinho Miguel disse...

O que diz é verdade, mas não espelha nada. Caso os EUA tivessem mais população o seu impacto seria ainda mais desastroso e não iria melhorar as suas emissões per capita. O mesmo se passa com a UE. O factor 5 vezes mais nos EUA é desastroso.
Concordo com a sua análise da China, país que conheço muito bem, mas o facto é que têm lá mais de 1300 milhões de pessoas e nós não temos e se tivéssemos nada nos diria que resolveríamos melhor o problema que eles.
O que se pretendeu mostrar no artigo das emissões e neste, é que a designação "países desenvolvidos" é claramente exagerada e o mesmo se aplica aos "países em desenvolvimento". Se aplicássemos a nós próprios as regras que os chineses aplicam na China e reduzíssemos as nossas emissões para 5 toneladas por habitante, estaríamos em posição de dizer algo. Na actual situação nada temos a dizer e devíamos mudar as nossas atitudes imediatamente.

Anónimo disse...

Talvez sim talvez não, o que eu quero que fique bem claro é que não se pode dar números de CO2 por habitante a um pais como a CHINA, por mias industria que tenham e por mais população que tenham, mais de metade (nº não oficiais) vive tão mal como um habitante na Republica central de África, sem água canalizada luz, ou gás.
Ora então alguém me diga como se contabiliza estas pessoas para as emissões de CO2?

E para alem disto, eu acho que é já uma questão cultural, esta questão de atitudes, e será muito complicado a meu ver, que consigamos mudar a tempo.

Agradeço a sua atenção Agostinho Miguel.

Sinceros cumprimentos

Agostinho Miguel disse...

a questão não com se contabiliza, a questão é que asim se vive na China. Não adiante estar a remover os que não poluem, porque todos vivem na China. O problema que levanta no fundamental nada resolve. Tal como disse os estilos de vida ocidenais nada servem para um país como a India ou a China. Simplesmente não existem recursos para tal. O objectivo do artigo e talvez não o tenha conseguido é que pensamos fora da nossa caixa e dos nossos modelos, porque esses modelos não são aplicáveis. Os chineses vivem per capita com muito menos do que nós e em média isso é sempre verdade. A estatística é brutal nos seus resultados, mas com eses valores fazemos contas. As contas são estas quer gostemos delas quer não.