domingo, outubro 05, 2008

Bolhas

Está na moda o termo "Bolha". Mas um dos mais famosos foi a do início desta década quando muitas empresas nas Tecnologias Informáticas (TI) no mundo, sobrevalorizadas, acabaram por perder milhões, ser compradas por outras, ou simplesmente desaparecer. No entanto o mercado das TI não acabou ai, muito pelo contrário, surgiram novas empresas, novos serviços e a famosa expressão do Web2.0, já se falando no Web3.0.

Hoje em dia a bolha é outra, e já rebentou: o mercado imobiliário Norte-americano. Esta bem mais grave e abrangente, com poder de influenciar as finanças mundiais e, por arraste, a economia mundial.

No meio desta convulsão, e mesmo antes da mesma, já se uma outra eventual bolha se visualizava: "uma bolha verde". Nesta estão os negócios ambientais, do carbono e das Energias Renováveis (ER). O problema não está se eles existem ou são rentáveis. O problema está quando os mesmos são sobrevalorizados no sentido de fazer render o máximo possível e mais rápido possível a apenas alguns "investidores".

Não haja dúvida que o mercado dos produtos "verdes" é um mercado atractivo. No entanto o mesmo deve ser, como em qualquer investimento e negócio, bem organizado e gerido. Quando começam a entrar no mesmo os especuladores, o mesmo e distorcido. Mais uma "imperfeição do mercado".

As ER são e serão no futuro um bom negócio, mas como em tudo, não se pode cair na tentação de "matar a galinha dos ovos de ouro". A entrada de investidores e de gestores que, como em Wall Street, querem ter grandes lucros em pouco tempo, não é de certo benéfico para a sustentabilidade de nenhum negócio.

Bons investidores, gestores assim como regulação precisa-se, de forma a não criar falsas expectativas e maus negócios. Não é apenas um problema de consciência é também um económico e um problema legal.

segunda-feira, março 17, 2008

Excessos solares no RCCTE

O novo Regulamento do Comportamento das Características Térmicas dos Edifícios (RCCTE), publicado em 2006 visa, entre uma quantidade de requisitos, a promoção de sistemas solares térmicos para o aquecimento de águas sanitárias, através da obrigatoriedade de instalação de 1 m2 por pessoa.

Aqui começa um problema. 1 m2/pessoa, independentemente da região do país, para além de não fazer muito sentido, está completamente desajustado dos valores convencionais de dimensionamento "médio", que para um colector solar bom, bastaria entre 0.5 e .8 m2/pessoa.
Este padrão de 1m2/pessoa, em quase todos os projectos que respeitem à letra este valor, irá originar sistemas sobredimensionados, com consequências que se irão sentir no curto prazo no Verão (sobreaquecimentos constantes) e no longo prazo (maiores custos de manutenção e menor tempo de vida dos sistemas).

Na realidade, em vez de se promover a eficiência energética, o sobredimensionamento beneficia indirectamente os colectores solares menos eficientes e de menor qualidade.

Uma lógica muito mais simples seria o estabelecer de um valor mínimo médio de energia por pessoa, que o sistema solar deveria fornecer. Por exemplo, considerando que, para aquecer os banhos de uma pessoa durante um ano (40 litros a 60ºC), seriam necessários cerca de 764 kWh/ano. Considerando ainda uma percentagem mínima de 60%, resultaria uma energia mínima de 458 kWh/ano por pessoa.

Este valor é ainda um valor elevado, uma vez que o consumo de AQS não é feito a temperaturas tão elevadas (60ºC), como indicado no RCCTE, sendo mais lógico utilizador temperaturas na ordem dos 45ºC, que reduziria ainda mais os valores mínimos de energia a atingir (cerca de 380 kWh/pessoa.ano).

No entanto valores na ordem dos 450 kWh/pessoa.ano já poderiam reduzir significativamente os problemas de sobredimensionamento latentes no actual regulamento.

Esperemos que os gestores do SCE (a ADENE), estando já alertados para o caso, sejam céleres em modificar o RCCTE, ou pelo menos informar os peritos desta problemática, e criar mecanismos dentro do espírito da lei, passíveis de reconhecer eficiência energética dos sistemas solares e não "queimar" a energia solar térmica.

sábado, janeiro 19, 2008

Renováveis no OE2008

Já é mesmo definitivo:
"Artigo 85.º
[...]
1 - . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2 - São igualmente dedutíveis à colecta, desde que
não susceptíveis de serem considerados custos na categoria
B, 30 % das importâncias despendidas com a
aquisição de equipamentos novos para utilização de
energias renováveis e de equipamentos para a produção
de energia eléctrica e ou térmica (co -geração) por microturbinas,
com potência até 100 kW, que consumam
gás natural, incluindo equipamentos complementares
indispensáveis ao seu funcionamento, com o limite de
€ 777.
3 — As deduções referidas no n.º 1 não são cumulativas."

http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/93CAFB60-3200-46FC-A2C4-A32AF40DE7D0/0/Lei_OE_2008_Aprovada.pdf

Só falta agora "the will to pay" ( vontade de pagar )

JF