quinta-feira, dezembro 21, 2006

Desregulação eléctrica

A intervenção directa do estado na regulação do preço da electricidade, veio causar diversas "convulsões" no país político.

Primeiro, o anúncio da ERSE da subida de cerca de 15% na tarifa de baixa tensão, que segundo o Secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação António Castro Guerra, era culpa dos consumidores. (http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1273743)

Com a "boa intenção política" de, no curto prazo não penalizar os portugueses com uma subida da tarifa em baixa tensão na ordem dos 15%, o Governo "regulou" o regulador e impôs um valor na ordem dos 6%.

Um dos resultados mais recentes é a demissão do Presidente da ERSE, Jorge Vasconcelos. http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/
diarioeconomico/internacional/economia/pt/desarrollo/719762.html

Mais um capítulo triste: o parlamento quer ouvir o ex-presidente da ERSE mas o governo acha que não deve.

Com ou sem eventuais razões políticas, o governo acabou por cometer provavelmente um erro, ao imiscuir-se na tarefa primordial da ERSE, a regulação do Sector Eléctrico.

Os resultados a curto prazo podem ser "benéficos", mas no médio prazo poderão tornar-se uma cura pior que o mal, porque no fim alguém tem de pagar a conta, ou apagar a luz!

terça-feira, outubro 31, 2006

STERN REVIEW: The Economics of Climate Change

Estas últimas semanas tem sido bastante proficuas em notícias sobre o clima. Primeiro com a estreia do filme "uma verdade inconveniente", e muito mais recentemente com a divulgação do "STERN REVIEW: The Economics of Climate Change"., do reputado economista Nicholas Stern.

Começando pelo filme, este baseado parcialmente nas experiências pessoais do ex-vice presidente dos Estados Unidos da América Al Gore, e nas suas conferências ao redor do mundo, Al Gore tenta explicar, de forma simples e directa, o que é o aquecimento global, quais são as evidências cientificas e actuais, as eventuais consequências se não se tomar acções e que acções podem ser hoje tomadas. Apesar do um estilo marcadamente americano, é um filme, ou melhor documentário, bastante recomendado, a sua linguagem directa e carregadamente visual, gráfica e explicativa faz pensar a aqueles que nunca pensaram no assunto e actuar a aqueles que pensaram e ficaram por ai.

Noutra vertente, o relatório Stren é bastante mais complexo, mas muitas das suas conclusões são bastante taxativas:

The benefits of strong, early action on climate change outweigh the costs

The scientific evidence points to increasing risks of serious, irreversible impacts from climate change associated with business-as-usual (BAU) paths for emissions.

Climate change threatens the basic elements of life for people around the world - access to water, food production, health, and use of land and the environment.

The damages from climate change will accelerate as the world gets warmer.

The impacts of climate change are not evenly distributed - the poorest countries and people will suffer earliest and most. And if and when the damages appear it will be too late to reverse the process. Thus we are forced to look a long way ahead.

Climate change may initially have small positive effects for a few developed countries, but is likely to be very damaging for the much higher temperature increases expected by mid- to late-century under BAU scenarios.

Integrated assessment models provide a tool for estimating the total impact on the economy; our estimates suggest that this is likely to be higher than previously suggested.

Achieving these deep cuts in emissions will have a cost. The Review estimates the annual costs of stabilisation at 500-550ppm CO2e to be around 1% of GDP by 2050 - a level that is significant but manageable.

Resource cost estimates suggest that an upper bound for the expected annual cost of emissions reductions consistent with a trajectory leading to stabilisation at 550ppm CO2e is likely to be around 1% of GDP by 2050.

Reducing the expected adverse impacts of climate change is therefore both highly desirable and feasible.

The removal of barriers to behavioural change is a third essential element, one that is particularly important in encouraging the take-up of opportunities for energy efficiency.

Curbing deforestation is a highly cost-effective way of reducing greenhouse gas emissions.

Building and sustaining collective action is now an urgent challenge.

There is still time to avoid the worst impacts of climate change if strong collective action starts now.


Estas e outras conclusões, assim como, para quem tiver mais tempo, o relatório completo, podem ser encontradas em:


http://www.hm-treasury.gov.uk/independent_reviews/stern_review_econo
mics_climate_change/stern_review_report.cfm


Assim, cada vez mais políticos, estudiosos, cientistas, economista, cidadãos, etc., etc., se juntam a consciência global de que é necessário actuar já de forma a minimizar os eventuais (e infelizmente muito prováveis) efeitos dos gases de estufa e as alterações do clima.

Visite o site http://www.climatecrisis.net/takeaction/
onde pode ver o que pode fazer para ?alterar? as alterações do clima, entre as recomendações temos:


Escolha lâmpadas que poupam energia
Quando fizer novas aquisições opte por electrodomésticos que poupem energia
Utilize e cuide correctamente dos seus electrodomésticos
Isole a sua casa
Conserve a água quente
Reduza o desperdício de energia em stand-by
Reduza os quilómetros de condução em automóvel, andando a pé, de bicicleta, partilhado o carro, ou usando transportes públicos, quando é possível
Conduza de forma mais inteligente
Recicle
Saiba mais sobre as alterações do clima
Participe


Estas e muitas mais acções são necessárias para minimizar os erros cometidos no passado, que podem reverte num futuro menos aprazível.

JF

segunda-feira, outubro 09, 2006

O mito do Gás Natural

Nos últimos anos o Gás Natural (GN) tem sido apresentado como uma energia "limpa", e quase não poluente. Mais o facto é que o GN, não é mais do que uma mistura de etano, butano, propano, gases inertes, entre outros, e principalmente metano (70-94%), i.e., não deixa de ser uma mistura de hidrocarbonetos gasosos. Como resultado da sua queima existem emissões de CO2, menos 20% quando comparando com outros hidorcarbonetos, mas ainda restam 80%.

Sendo assim, porque o GN veio para chegar? Podemos resumir:

- Em primeiro lugar representa uma redução, pouca, nas emissões de CO2.
- Representa uma alternativa directa aos derivados do petróleo.
- Preço competitivo.
- Rede de abastecimento e promoção fortemente subsidiada pelos governos nos últimos anos.

Mas não será perigoso pensar que o GN veio para substituir o petróleo? Vamos passar de uma dependência para outra, esquecendo a diversificação energética?

Sintetizando podemos afirmar, que o GN é poluente e não é uma energia endógena.

O GN poderá e deverá ser uma parcela da diversificação energética, mas não pode impedir (por questões economicistas) o aparecimento, desenvolvimento e evolução de outros tipos de fontes de energia, baseadas em recursos renováveis, esses sim com emissões de CO2 equivalente nulas e realmente limpas.

O que seria feito de algumas energias renováveis se a 15 anos atrás tivessem tido o financiamento que teve o GN? Provavelmente já teríamos ultrapassado a meta dos 39% de produção de energia eléctrica com fonte nas renováveis e o cumprimento das metas do Protocolo de Quioto não parecessem uma miragem...

sábado, setembro 16, 2006

Verdade inconveniente

Ainda não fui ver o filme, ou melhor, documentário, "Uma verdade inconveniente", mas as novidades não devem ser muitas. Já uma larga parte da comunidade científica (há sempre alguns do contra...), vem alertando para os efeitos causados pela intervenção do homem, ao nível do clima.

Mesmo que, da teoria à realidade, os cenários podem ser influenciados por muitas variáveis, muitas das medidas propostas são execuiveis assim como, em muitos casos, comportam uma maior eficiência de recursos, aumentando assim os níveis económicos.

É um facto que documentários como este, e com um protagonista mundialmente conhecido, vem dar mais força à lógica ambientalista. Basta ver a visibilidade que o filme teve nos meios de comunicação recentemente.

Gostava de imaginar o que teria acontecido se em vez do Bush, fosse, se é que não foi, Al Gore o eleito em 2000. Teríamos as mesmas guerras pelo petróleo? ou, finalmente, alguma coisa iria mudar nos Estados Unidos? Seria coerente com o seu discurso? ou vacilava perante outros lobbies?

Estas perguntas nunca terão resposta, ou talvez sim, em 2008... esperemos que, para o bem da humanidade, a coerência se mantenha.

domingo, agosto 13, 2006

Eficiência energética?

Mais um verão quente que se instala, e nada como estar no fresco do gabinete de trabalho com o ar condicionado no máximo. No entanto, a que custo?

Sabemos que em Portugal a eficiência energética está longe de ser a regra.

No sector dos edifícios, e após muitos anos de inoperâncias, em 2007 entrará em vigor o sistema de certificação energética de edifícios (SCE). Já em 2006 foram publicados as novas versões do RCCTE e do RSECE.

Com estes regulamentos pretende-se, de uma forma geral, reduzir os consumos energéticos nos edifícios, aumentando assim a sua eficiência energética.

Mas a realidade de uma grande parte da nossa edificação, tanto de edifícios domésticos como de serviços, revela graves deficiências nestas áreas.

Soluções simples, como paredes duplas com isolamento e vidros duplos, só começaram a ser aplicadas nos últimos anos.

Como é do conhecimento geral, a edificação dos anos 80 e 90, principalmente nas áreas suburbanas, foi um exemplo a não seguir, tanto do ponto de vista energético, como do ponto de vista do ordenamento do território.

A eficiência energética, tanto nos edifícios, como em todas as actividades consumidoras de energia, tem de ser a primeira directiva na área da energia.

Não podemos continuar a gastar (mal) a energia como até agora.

Não podemos apontar o dedo só à falta de políticas estratégicas, porque o gesto simples de apagar a iluminação do quarto vazio ou de comprar um electrodoméstico mais eficiente, só depende de nós.

É possível ter conforto e ao mesmo tempo reduzir os consumos, a isto se chama ser eficiente!

quarta-feira, julho 26, 2006

Nuclear: Quem tem razão?

Desde o início da escalada dos preços do Petróleo, a discussão entorno da solução Nuclear (fissão) não tem sido clara.

Os números relativos, ao "verdadeiro" custo kilowatt nuclear, varia conforme a tendência pro ou contra.

A problemática dos resíduos nucleares é minimizada pelos apoiantes do nuclear e maximizada pelos detractores.

O que parece é que nesta discussão os factores económicos/financeiros se sobrepõem aos factores técnicos e ambientais.

A discussão sobre a eventual instalação de uma central nuclear em Portugal, não tem sido clara e apenas parece aportar mais entropia para o nosso sistema, afastando-nos assim, de uma verdadeira discussão sobre a problemática energética.

Esta problemática começa pelo consumo e não pela produção. A melhor forma de produzir um Kilowatt é não consumi-lo!

As medidas de eficiência energética são urgentes é altamente necessárias. Alguns mecanismos começam a ser constituídos (novo RCCTE e RSECE), no entanto falta um muito longo caminho para percorrer em sectores como o transporte e a habitação.

O facto é que a energia eléctrica representa um pequena parcela (cerca de 20%) da energia final consumida em Portugal, e a energia nuclear, no actual contexto tecnológico, apenas iria influência esta parcela.

Não devemos, nem podemos, centrar a problemática energética numa discussão "sé é bom ou mau fazer uma central nuclear". A discussão deve ser centrada e soluções técnicas, económicas e ambientalmente sustentáveis.

Se perdermos o tempo a discutir se é "bom ou mau", se o "aquecimento global existe ou não" ou se o "protocolo de Quioto é benéfico ou não", quando for tempo de actuar poderá ser tarde demais, e o facto de sermos mais eficientes energicamente de apostarmos na diversificação energética (renovável e convencional), se não fizer "bem" de certeza que não faz mal nenhum!

sexta-feira, julho 21, 2006

Energia eólica na frente

Nos últimos anos a energia eólica tem vindo a ser a única energia renovável com um real desenvolvimento em Portugal.

Nos últimos 4 anos, passamos de 175 MW de potência instalada (em 2002) para 1.151 MW (em Março de 2006), o que representa actualmente 711 geradores, distribuídos por 112 parques eólicos.

Não admira por isso, bem perto de Lisboa, na zona Oeste, as turbinas eólicas saltam logo à vista, até do mais distraído.

Esta proliferação, que apesar de tudo já está atrasada, deve-se no essencial às perspectivas económico-financeiras que representam a conjugação de vários factores macroeconómicos: por um lado o preço do petróleo não dá sinais de descida, pelo contrário, assiste-se novamente a uma escalada do preço do ouro negro, e por outro lado, o valor de remuneração do Kilowatt de energia eléctrica produzida nos parque eólicos, estabelecido com a finalidade de atingir os 39% de energia eléctrica com fonte nas renováveis, favorece o retorno do investimento, VAL, TIR's e outros indicadores.

Noutra vertente técnica, as turbinas eólicas são cada vez são maiores, mais eficientes e mais baratas.

Assim a energia eólica afigura-se como a primeira energia renovável competitiva face a outras fontes convencionais de produção de energia, não obstante com alguns inconvenientes, como a irregularidade na produção, a localização de locais com bons recursos de vento em locais protegidos, etc..

De facto a energia eólica não é a panaceia para todos os problemas da actual necesidade energética nacional. Esta fonte de energia, actualmente apenas representa cerca de 20% da energia eléctrica produzida, e relembrando que o consumo eléctrico nacional (energia final) é cerca de 20%, fazendo contas, na globalidade a energia eólica apenas aporta cerca de 4% para os consumos de energia final. Mesmo no melhor dos cenários em que são instalados cerca de 5.000 MW eólicos até 2010, a energia eólica nunca ultrapassará os 15% da energia final necessária. Isto sem ter em conta o crescimento dos consumos.

Na realidade a energia eólica não é a solução única, faz sim parte de uma solução composta que começa por gastar menos (eficiência energética) e produzir 'melhor', com recursos a fontes diversificadas: eólica, biomassa, solar, gás natural, hídrica, etc., assim como investir em novas formas de mobilidade: o automóvel de motor de combustão já tem cerca de 100 anos, já é hora de 'produzir' novas soluções, mais baratas e realmente eficientes energeticamente!

domingo, junho 11, 2006

Primeira e última?

Esta semana chegou aos jornais uma notícia daquelas que os jornais gostam: Portugal vai ter a maior central de energia solar fotovoltaica do mundo? (in DE)

Não obstante o mediatismo desta notícia, e apesar de ser um sinal positivo (já estamos a instalar fotovoltaico), não deixa de ser questionável a viabilidade dos próximos projectos de energia fotovoltaica.

As recentes alterações nos tarifários e o congelamento dos Pedidos de Informação Prévia (PIPs), pedidos que servem para indagar sobre a possibilidade e condições técnicas de eventual ligação a rede eléctrica de sistema de microprodução, não augura um grande desenvolvimento nesta área.

Segundo a DGGE as metas de 150 MW de energia eléctrica a partir da energia solar estão perto de ser compridas. Portugal optou nesta área por uma estratégia de aprovar grandes projectos como o de Serpa (11 MW) ou de Moura (64 MW) e complicar? os projectos de micropotência (menos de 5 MW).

Apesar da disponibilidade técnica e do potencial comercial das soluções de micropotência, a burocracia fez mais uma vítima. A suspensão dos PIPs são um sinal revelador da situação.

Portugal passou do 8 para o 80. Só o projecto de Moura representa cerca de 43% da potência prevista para o fotovoltaico, e é 6 vezes maior que a maior central actualmente existente no mundo: 10 MW Alemanha, Pocking.

Como apoiante das renováveis fico feliz por haver investimentos nesta área, no entanto como técnico fico apreensivo pela viabilidade dos futuros investimentos na área dos sistemas fotovoltaicos.

Não seria mais lógico, que apesar destes grandes projectos, os pequenos projectos privados, domésticos e outros deveriam continuar a ser apoiados?

Esperemos que a situação evolua positivamente, para bem do crescimento e desenvolvimento desta fonte de energia renovável.

quinta-feira, junho 01, 2006

Verdade!

O excesso de Sol de Portugal é inversamente proporcional ao uso que fazemos dele - Investigadores de vários países já salientaram o facto de os países com muito Sol terem um déficit de actividade cerebral!!!! - sendo assim e para contrariar esta teoria Portugal tem até 2010 de provar a si próprio que queremos de facto usar o Sol.

O caminho existe, as tecnologias estão disponíveis e nem faltam os investidores, o que falta são mesmo leis que em vez de dificultarem, facilitem tais investimentos.

terça-feira, maio 30, 2006

Opinião no PER

Este é o primeiro blog de opinião do Portal das Energias Renováveis.

Colaboram com este blog pessoas ligadas as energias renováveis e as áreas da eficiência energética.

Pode ser realizados comentá¡rios sobre as diversas opiniões emitidas.

Os autores são respossáveis pelas opiniões e textos incluí­dos.

A transcrição destes textos não expressa o acordo total ou parcial com o seu conteúdo por parte do Portal das Energias Renováveis.